quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Quase lá: 2011!!!!



Agora é sério. Amanhã, na verdade jajá, porque é quase meia-noite, já será dia 31 de dezembro de 2010! Tens noção de como passou rápido? Fico me divertindo com o que pretendo enumerar na lista de resoluções para o novo ano. Ainda pouco estava rindo da mais frequente:

*Lembrar de não comer em 2011!

Atenção, quando a sua família diz que vc tá ótima é pq vc ta gordinha! Vó não gosta de ver neta magra, ainda mais neta que mora sem a família, porque pensa que ela nao se alimenta. Então, se ela diz: "minha filha, vc ta doente, ta muito magra!" Você está ótima!

A paranóia woman aqui quase surtou ao tentar entrar num vestido comprado há dois anos, e que nunca foi usado, e ter ficado igual a uma bola de árvore de Natal. Aliás, esse pensamento me levou a outras três resoluções:

* Usar a bike recém adquirida para ir ao Yoga todas as segundas, quartas e sextas de 2011
* Voltar a ir para o boxe às quintas e sábados
* Colocar um futon no quarto para meditar todos os dias de manhã
* Frequentar o budismo todas as terças
*Levar todas acima à sério!

As resoluções são basicamente estas, fora mais uns 10 itens pessoais...Ahá! Não publico tudo que penso, as vezes nem penso tudo que publico."to te explicando pra te confundir, to te confundindo pra esclarecer..."

Do que é publicável, ainda restam:

* Ler n vezes mais do que li em 2010
* Viajar mais (Vietnã, India, Africa, Itália...qual será o destino das férias de 2011????)
* Fazer milhares de novos amigos do mundo
*Manter os milhares de amigos que eu tenho aqui e por aí

Acho que ta bom, ne? Já citei "não comer?"...Já! Ok, só pra não esquecer.

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Senhor mau-humor!




Vou te contar que um mau-humor DAQUELES invadiu minha alma e meus dias. Passei a semana praguejando a tudo e a todos, quando abria a boca era para dizer “que merda!” “que saco!” “que raiva” “que mala” “ai ai ai....” “dá pra piorar”.... e coisas do tipo. Coitado de quem trabalha ao meu lado!

O pior é que nunca me vi desse jeito, já passei por crises de mau-humor, é claro, mas nunca desse jeito! Que desânimo com tudo, que “deprê”, que vontade de não ir trabalhar, queria sumir nem que fosse para debaixo do edredom.


Pensei, repensei, pensei novamente e descobri o que me aflige: as comemorações do dia 31 de dezembro. A ironia é que eu estava super empolgada, pelo menos no início de 2010 eu pensava: vou super comemorar o final deste ano, que será demais! É... o ano foi demais! Consegui realizar 90% de tudo que eu queria, conheci pessoas incríveis, viajei para lugares “nunca dante navegados”, e por isso tudo eu deveria estar vibrando! 

 Não é o caso! Depois de anotar todas as possibilidades, acho que entendo o que me aflige. Ano passado eu estava casadinha, não que sinta vontade de casar ou saudades do meu antigo estado – Pelo contrário, solteira eu sei o que é ser completa, desencanada e feliz, ô se sei!, mas depois de três anos fazendo planos juntos para o final do ano, não é de se estranhar ficar deprê por ter que decidir tudo sozinha agora. É como se faltasse alguma coisa. Já gritei olhando para o céu: “Ei, não estão esquecendo de nada?”

E é essa a sensação, eu, a SUPER Raï, SUPER desencanada, SUPER animada, SUPER alegre, SUPER cheia de amigos e convites, estou SUPER desanimada com essa festa de final de ano. Assim como não estava nada em clima natalino. Mas ok, eu SUPER acredito no slogan da BANDNEWS FM: Em vinte minutos, tudo pode mudar! (Minha animação, meus planos, tudo enfim!)

Tou esperando...  

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

"Vai uma aspirina" por André Newman (o sensacional Michel Melamed)


E como eu palmilhasse distraidamente vencido, pois bem, O Solteiro. Primeiro: solidão não é abandono. Um é de dentro pra fora e o outro de fora pro dentro. Sim, o mundo é erótico. Típico pensamento de solteiro… Está comprovado porque inventei agora: solteiros são mais erotizados portanto fazem mais sexo. E, claro, os solteiros inventaram o sexo. Vai discutir? Discussão é invenção dos casais.

Volvendo: solteiro é opção. E opção é democracia. Casamento, por analogia, é ditadura. Porque casado, namorado, profissão, só serve se por paixão – paixão é falta de opção, delírio, abismo, não vou nunca mais falar sobre isso. Sofismático? Coisa de solteiro. O que é sofismático? Coisa de casal (apesar de fazer menos sexo, o casal lê menos também).

Solteiros são mais saudáveis. Praticam esportes (mesmo que motivados pelo desejo de um encontro), frequentam mais bares, praias, festas. Casais moram em masmorras onde se torturam mutuamente. Quem nunca torturou o parceiro que ai ai ai.

A voz do solteiro é a voz de Deus, diz o ditado. Assim, melhor só que blablablá, quem não está bem sozinho não pode querer blablablá, etc. Ah: solteirice é consciência ecológica e o casamento polui. Em resumo, solteiros tem tempo e espaço para inventar coisas (como essas), enquanto casais (#FATO) vivem na mesmice. Seja franco ou franca: até quem é casado sonha encontrar alguém.

Quem é que te olha todo dia no espelho? Quem te leva o garfo à boca e depois escova seus dentes? Quem arruma seu travesseiro, cruza suas pernas, pisca seus olhos, e, afinal, quem é que te inspira o ar? Você. No mínimo solteiros são solidários. Tema preferido dos casais? Egoísmo.

Os solteiros é plural então até que nem tão solteiros assim. Solteiros de todo mundo, uni-vos!
Pois bem, estou solteiro? Sim. E, talvez, “sou solteiro”. Aquela coisa toda de que nascemos sozinhos, vivemos, morremos… Então seria, “nascemos solteiros” e “morreremos solteiros”.

Outra (falo por mim e pelo que vejo): as pessoas são melhores solteiras. Melhores no sentido de mais potentes, soltas, vivas, fortes… Casais se castram, se frustram, amedrontam. Mais: solteiro quer dizer o sol inteiro. E ainda: só, mas inteiro. Em resumo: estou meio triste, meio raivoso, acabado, confuso, perdido, meio louco, sei lá, como pode notar (se for solteiro(a) porque casais são cegos).

 Mas tudo bem, eu me tenho só pra mim… Ser solteiro é como se ainda não existisse celular. Só isso. Simples assim.

E tenho aqui mais umas muitas notas caóticas sobre o tema, mas não importa. Fundamental é mesmo o amor, é impossível ser feliz casado.

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Bye, bye 2010!



Separando, cozinhando, escrevendo, amando, viajando, falando, aprendendo, trabalhando...estes foram alguns dos verbos mais praticados por mim em 2010. E o ano já vai se despedindo, vai deixando saudades, lembranças e, infelizmente, aumentando a distância entre o hoje e os bons momentos vividos neste que foi um ano tão mágico.

Se teve algo em 2010 que eu quis fazer e não fiz, foi... hmmm... Não sei. Tudo funcionou, até os lances mais perigosos e/ou que dependiam de sorte: rafting, carona pelas estradas do mundo, desfile em escola que não ganhava há 74 anos (Unidos da Tijuca foi vencedora e desfilamos duas vezes). Tudo, tudo, tudo mesmo redondamente perfeito.

Foi o Ano do Tigre (sim, acredito): ano da mudança. E a profecia se cumpriu. E, é bem verdade, que na virada de 2009 para 2010 eu já sabia que seria assim, e foi tão rápido!Amores, festas, sonhos, carnaval, teve espaço pra tudo. Novos amigos, os que passaram e os que ficaram, os amores que passaram também, aliás, meu coração passou um ano bem tranquilo, se aventurou algumas vezes, resolveu voltar pra casa. Descobriu o que lhe faz bem, descobriu que precisa ser leve e encarar cada coisa com seu peso. Cada amor de um jeito, cada flor com seu cheiro, sem misturar as estações.

Lembro de uma tarde na praia de Tel Aviv com amigos, quando me toquei do vazio que era não pensar em ninguém ao ouvir uma música bonita. Sabe quando você procura entre os ficantes, as pseudopaixões, e não encontra um só para encaixar? Eu disse à Soraya, quero apaixonar de novo. E aí veio a revoada, uns 50 pássaros sobrevoaram a gente. Soraya me olhou: "vc é bruxa!" Será? O amor não veio, coração não quis. Acho bom, acho válido.

Agora 2010 tá aí na porta, prestes a pegar a estrada e deixar 2011 assumir o posto. E olha que te digo, vai ser bom, vai ser muito bom, vai ser melhor ainda.

Ficarei olhando a despedida, taça nas mãos, amigos do lado, roupa e coração leves, coisas de quem tem certeza das escolhas que faz. É fácil quando a única certeza que carregamos é a de que só sabemos o que não queremos. O que eu quero? Não sei! O que eu desejo? Que todas as pessoas saibam enxergar o chão onde pisam, que não tenham medo de se aventurar, de ir atrás daquilo que acreditam. Desejo que todos saibam a importância de parar e olhar a lua no céu, as estrelas que brilham, as ondas do mar. Desejo que antes de pensar no que querem construir materialmente, pensem na pessoa que querem ser no futuro, nós somos os únicos responsáveis pelo nosso destino. Isso é muita responsabilidade!

Depois não adianta chorar, não vale culpar o passado. As escolhas são nossas e um ano bem vivido determina o seguinte, então, pra encerrar meu post vitaminado e apaixonado pelo ano que termina, vou repetir aquela que foi a palavra mais importante de 2010: LAMA LO?

Lama lo é "por que não?", em hebraico. "Deixo ir aquilo que não me faz mais feliz?" "O que, mergulhar na praia agora, 4h da manhã?" "Viajar sozinha?" "Amar, des-amar?" "Curtir, festejar, chorar, se arrepender, terminar, começar?" LAMA LO?

Valeu 2010!



















sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

A gente, e quando digo isso me refiro a homens e mulheres, passa a vida buscando um amor. Até quem "tá por aí" fica à espreita de alguém que vai chegar na hora em que menos se está esperando, encostar as mãos em você e fazer "clic". Então a gente vira um termômetro ambulante, medindo a temperatura dos corpos que ocasionalmente se chocam ao nosso, dia a dia, num simples aperto de mão. E, se a temperatura do outro é um pouco mais quente, a gente para e considera. A maioria escosta e nada rola. Outros causam a maior confusão,e em alguns casos, embolam o corpo no nosso em minutos. Aí a gente gruda, transa, se apaixona por uma noite. Depois esfria. Ou engata.

Quando a placa "estou solteiro e vivo bem assim, obrigada" está pendurada no pescoço, tal e qual melancia, que é pra afastar possíveis relacionamentos, até então, nesse momento da vida, complicadores e dificultadores da vida leve, livre e solta que o solteiro vive. Calma aí, cade o ponto dessa frase? Não disse que tem corpo que embola no outro?

Bom mesmo é viver o momento. Sem muitas teorias, aliás, sem nenhuma teoria. Conceitos só atrapalham, dificultam o raciocínio e tem hora que o bom mesmo é não pensar em nada. Parafraseando Manuel Bandeira, "Os corpos se entendem, mas as almas não", então porque é que colocamos a alma em tudo?

Voltando, todo mundo está em busca de alguma coisa, e até que se prove o contrário, o menos complicado, e mais divertido, é ir levando com o que há de mais leve: a solteirice. Parece feio, parece leviano, talvez seja. Mas quem é que quer virar uma Maria Madalena arrependida atrás de alguém? Eu não, obrigada. Passe bem.

Volver: todo mundo está em busca de algo. Mas o melhor mesmo é não procurar nada. E viver, assim assado, feliz, por aí, sem stress. Mas não, a gente viaja, cria fantasias, personagens irreais, e vivemos muitos personagens também. For what?

E quantas pessoas passam pela nossa vida em questão de...sei lá, 1 ano? Três semanas, que seja? Vivemos um cooper emocional, e se a gente cisma com alguém e apaixona por três ou quatro dias, desencana em seguida e.... Próximo! Aí vem o tal do corpo com a temperatura, que a essa altura nao sei se é a energia ou o calor, e lá vamos nós de novo.

Quando se tem vinte e poucos ou vinte muitos a gente não sabe de nada. E aí, em se tratando de saber ou não saber, é melhor não arriscar em nada que seja muito sério. Pra que? Mais cedo ou mais tarde você vai olhar ao redor e dizer com o pulmão inflado: uatarréu?

Sei lá, sei lá. Muitas emoções em 2010, e o ano já está na portinha, com malinha debaixo do braço pronto para dizer adeus. Mas, pera lá, quem disse que já quero me despedir? Mais uma vez, muitas emoções para organizar de uma só vez.

Então, os corpos se encontraram, acharam graça um no outro, finalidade igual: se divertir. Daí não há  blablabla, nada que impeça de rolar. E se parece bom, por que não?

Depois, pendura a plaquinha no pescoço de novo, desencana e o que vier é lucro. Melhor que ser encanada, é ter um blog para dizer essas besteiras que só os solteiros têm tempo de pensar. Melhor ainda, ser solteiro,e bem resolvido, é não precisar viver encanado.

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010


Hoje acordei querendo tudo diferente. Enquanto me arrumava com um pé na porta e a cara no espelho, maquiagem em punho e cappuccino na outra mão, me vi desejando ser outro alguém. Uma simples moradora de uma vila calma, com tempo para passar as tarde na rede, dona de um belo jardim para gastar as minhas tardes pintando. 

Imaginei uma varandinha aconchegante com cachorrinhos, passarinhos, cheiro de comida no fogão à lenha, barulho de bicho na mata e o padeiro passando de bicicleta na porta com a cesta cheia de delícias.
Pensei como seria ter a tranquilidade de não precisar viver às voltas da balança para emagrecer o meio quilo ganho na semana passada, e a correria para conseguir cumprir as missões diárias: levantar, correr para o banho, escolher roupa, maquiar, correr para o trabalho, atender ligações, mandar emails, telefonar, falar, escrever, bla, bla, bla. 

Na minha vidinha caseira perfeita, eu era alguém que não sentia falta de ar e o coração não ameaçava parar se eu não desacelerasse um “tiquim” que fosse.  O meu “eu” perfeito não tem tendinite de tanto usar o computador, no máximo fica cansado por passar horas e horas em pé pintando quadros.

Acordei com o telefone tocando, a maquiagem borrada, o café esfriando e minha amiga querendo usar o espelho.  Back to real life!

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

"Calma...
Dê o tempo ao tempo, calma alma
Põe cada coisa em seu lugar
E o dia virá, algum dia virá
Sem aviso."
Francisco Bosco
 


(*peguei a frase no blog da amiga e jornalista Fabiane Pereira, mas o Chico Bosco eu já conheço de outros carnavais. É um dos destaques da literatura brasileira, colunista do jornal O Globo e também letrista brilhante)

domingo, 14 de novembro de 2010

Entre borboletas e bailarinas




As relaçoes amorosas, mais uma vez, tema do meu post.

Há um tempo eu escrevi que a janela estava aberta para as borboletas novamente, pena que não basta querer para que elas entrem goela abaixo e fiquem zanzando no nosso estômago. Porém, eis que num dia, distraída, cantando com o coração escancarado na varanda do meu quarto, abri tanto a boca que nem percebi uma borboletinha sobrevoando e, num vacilo, nhack! Engoli a dita cuja.

Agora fico aqui olhando à espreita da porta o meu coraçao ir embora de novo, faz alguns dias que ele saiu com uma maletinha debaixo do braço para fazer sabe-se lá o que. Fiquei olhando meio perdida sem saber se isso era bom ou ruim. Ainda não sei. Ficamos eu e a borboleta, que a essa altura se multiplicou, e creio que surgiram bailarinas também, tamanho é o alvoroço dentro de mim.

Sinto-me prestes a pular do avião em movimento com o paraquedas e sem instrutor, c`est la vie... Nem sempre tem um guia ou manual que nos diga o que fazer. Essas coisas não funcionam assim. Por mais que tenhamos horas de crédito gastas na terapia, relacionamentos os quais serviram de base para uma vida amorosa madura, cada caso é um caso. E aí, somos todos crianças de novo aprendendo a andar.

Meu coraçao disse que levava na bagagem tudo de que precisava, não tenho certeza se ele tem tudo, pode ser que sim, pode ser que não, mas quem vai apitar o rumo da história? Pode ser que corra tudo bem ou não... mas não quero sair correndo antes de ver no que vai dar.

As borboletas ligaram o som e sobrevoam as bailarinas que dançam ao som de músicas que voltaram a fazer sentido pra mim.

O coraçaozinho malcriado virou a esquina, olhou pra trás e deu uma piscadinha sacana, coisas de quem sabe o que está fazendo. Vale confiar. Já disse que meu coração sabe o que faz, mesmo nesses rompantes, ele age por impulso, mas não confia em qualquer um. Aliás, é bem desconfiadinho.

E tem coisa melhor: se jogar, e se cair levantar. Pode ser que ele volte pra casa todo ferradinho, e aí as borboletas terão dado lugar a um grande vazio, mas não é nisso que vou pensar agora. Tudo pode dar certo, e nem sempre isso significa terminar com um "felizes para sempre".

De uma coisa eu sei, tinha tempo que meus lábios não combinavam de ir cada canto para um extremo da boca, deixando os dentes à mostra e o rosto todo em harmonia. Não uma risada qualquer, mas daquelas que congelam a face e deixam a gente com cara de bobo na rua, creio que até dormindo os lábios não cessam. Delícia de sensação.

domingo, 10 de outubro de 2010

Perceber a fragilidade de pessoas tão próximas, ex-gigantes que já foram donos de reinos detentores de poderes especiais, é o mesmo que acenar a bandeira confirmando que você pode assumir outro posto mais importante, o de porta-voz do reino, e com isso toda a responsabilidade e peso que vêm junto.

Não é pra qualquer um conseguir mediar guerras, colocar pesadelos pra correr e desarmar bombas. Tem que ter nervos de aço e saber o que fazer com a chave do armário que guarda a armadura. Tem que ficar ali, jogar no meio campo, equilibrar copos, engolir o choro, segurar a onda, mostrar que é forte e sê-lo de fato.

Quando existe gente que depende de você, da sua segurança, não dá pra bobear, não pode deixar a peteca cair. É como quando você é criancinha e adoece ou se machuca. Daí vem a mamãe, por mais nervosa que esteja, olha pra você e diz que vai sarar. Pronto! Você acredita, ela é autoridade perito no assunto dodoi.

Uma hora o jogo vira, e aí quem tem que dizer que vai sarar é você. E doi porque não parece fazer sentido, ainda que faça. Herois não devem adoecer, nem se machucar, mas não é bem assim. Meu pai sofreu um acidente de moto nesta semana. Corri pra casa e ao vê-lo, aquele cara que sempre foi o mais forte entre os mais fortes, seguro, agitado, robusto,e agora debilitado, com o pé ferrado e ralados pelo corpo, tive que me conter para poder confortar ao invés de pedir colo.

Naquele instante fui a pessoa mais adulta do grupo. Cuidei dele no médico, fiz comida,sobremesa, comprei remédios, dei dose extra de amor, carinho e atenção. Tudo aquilo de que precisamos quando adoecemos e que só alguém maior pode dar. Foi engraçado e estranho ao mesmo tempo ser a “dona da situação” e saber exatamente do que ele, meu pai, precisava. Voltei pra casa com a sensação boa de quem faz bem o que deve ser feito, e quando isso envolve fazer bem ao outro, não tem preço!

O bom é saber que na hora certa, os filhos pegam o bastão e sabem ser a cola que falta, o braço para dar apoio, a voz que dita o comando e o abraço que conforta.

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Vai ou racha?

Vejo casais querendo ficar juntos, tentando, e desistindo ou insistindo naquilo que não há de fazê-los felizes. Vejo mulheres novas à procura do que ainda não é para ser seu futuro. Vejo homens os quais não sabem em que fase estão e, por não saberem, tentam se prender e não aguentam a pressão. Vejo, e sei que é um erro antecipar as fases, porque já tentei, errei e voltei atrás também.


A vida é curta! (óóó´que clichê!), mas é isso mesmo. A vida é curta e temos pouco tempo para tentar ajustar as arestas, colocar a mochila nas costas e viver o que o mundão, e não esse mundinho pequeno e pouco da nossa rotina, tem para oferecer.

Quantas oportunidades batem à porta quando temos vinte e poucos ou vinte e muitos anos? Milhares. Todos os dias idéias e vontades que parecem loucas na primeira instância dizem - “olá! Vambora?”. É nesse momento que ser livre faz a maior diferença, porque quando é assim você não precisa abandonar responsabilidades com ninguém.

Nessa “meiúca”, vejo também um monte de gente que canta aquela música dos Titãs “devia ter chorado mais, e até errado mais, ter visto o sol nascer...”, mas que não levanta a bundinha do sofá tão confortável (medo dessa palavra!) para arriscar. Ou seja, o futuro dessa galera aí é óbvio.

E de obviedades e coisas confortáveis nossa rotina está cheia. E a maioria aceita. Já os riscos, seja de abandonar a própria cidade para tentar a carreira em outro lugar, mudar do emprego de anos para outro totalmente imprevisível, ir atrás de um amor no fim do mundo, essas coisinhas que dão medo, que fazem o coração palpitar e milhares de idéias virem à tona, é que vão fazer a diferença quando chegar a hora de “passar a régua e fechar a conta” aqui na Terra.

No início do ano fiquei viciada naquela música do Raul Seixas, aquele cara malucão para a quase todo mundo, mas que, como acreditam muitos outros “loucos”, tinha filosofias interessantes. A música era “Ouro de Tolo”, e o nome já diz tudo:

“Ah!
Eu devia estar sorrindo
E orgulhoso
Por ter finalmente vencido na vida
Mas eu acho isso uma grande piada
E um tanto quanto perigosa...”

Por essas e outras que admiro os mochileiros, essa galera que vê a vida de uma maneira tão excitante que não consegue ficar parada. Admiro e respeito os mochileiros, sua energia, coragem e desprendimento. É por isso que durmo com a cabecinha no travesseiro e o pensamento em todos os outros cantos e recantos dessa bola azul e cheia de água, mato, bicho e coisas interessantes para se ver e viver. Além, é claro, de ter meus planos e coragem sempre à ponta de bala! Só esperando o destino gritar mais uma vez para responder: - “Vamo que vamo!”

terça-feira, 3 de agosto de 2010

Quem ainda olha o céu e as estrelas; quem enxerga os sinais que fazem a gente viajar num conto de fadas aqui mesmo, na vida real? O Pequeno Príncipe, de Saint Exupéry, diria que as pessoas grandes não têm tempo pra isso. E ele não estaria errado...


“Joaquim e as estrelas”, espetáculo com o ator João Velho, em cartaz até 10 de outubro no Oi Futuro, em Ipanema, fala exatamente sobre isso. E mostra pra gente como as pequenas coisas da vida podem ser especiais. Os detalhes do dia a dia podem ter a conotação que a gente quiser, é só fechar os olhos e acreditar.



Se a fantasia fosse bobeira ninguém teria inventado Papai Noel, Bicho Papão ou Coelhinho da Páscoa. Já parou para pensar como essas fantasias transformam o ambiente e os meses? O que seria de nós sem o Natal? A árvore, os amigos, a esperança de um ano novo melhor, tanta energia se movimenta, quase todo mundo se une nessa corrente. Por que deveria ser diferente? Porém, no restante do ano, as pessoas parecem se esquecer disso.

Todos vivem no correr das horas, no contar da grana, no vício da rotina que desgasta a vida e se esquecem de que podem sonhar; conhecer alguém e imaginar diálogos, viagens... E se nada der certo ter se dado ao luxo de viver uma fantasia. É isso, algo simples virou luxo dos poetas, artistas e gente que se permite ser criança. É que só as crianças conseguem pintar a realidade, fingir que acreditam de verdade.



Viagem

Assim como existem os alcoólicos anônimos, poderiam criar um centro de internação para adultos voltarem a serem crianças, tipo uma Terra do Nunca. As pessoas seriam denunciadas como rabugentas ou workaholics e aí seriam mandadas para esse centro de reabilitação. Nada mal...

quarta-feira, 28 de julho de 2010

O que fica dessa história louca, covarde, errada, injusta, incompreensível, absurda, e tantos outros adjetivos que podem expressar a tristeza da morte por atropelamento do filho da atriz Cissa Guimarães? Como disse um repórter, “todos nós somos culpados”! Assim como todos nós somos culpados pelas guerras, pelo Holocausto, pela fome e a miséria, pelo ódio entre as religiões e tudo de ruim que vem através das mãos do homem.


O defeito de cada um de nós é pensar pequeno, ao ponto de só enxergar à sua frente o próprio território minúsculo da sua vidinha, do seu trabalho, da sua família. É ver todos os dias milhares de crianças vendendo chiclete às 2h da manhã nas portas dos bares e achar normal. Achar bonitinho. É ver meninas dormindo pelas ruas e achar comum. E se alguém questiona a gente responde: “mas o que eu posso fazer?”.

Estamos acostumados a presenciar todo tipo de falha e não se mexer. Estamos acostumados com o horror, com os homicídios assustadores que todos os anos aparecem como um seriado repetido nas telas das TV’s. Vira piada, que é o primeiro passo para a banalização, papo de bar e depois cada um vai pra sua casa deitar a cabeça e contar carneirinhos.

Vão me perguntar, “ta bom, e o que podemos fazer?”. É simples, mais do que parece. Podemos reagir nas pequenas coisas, naquilo que nos cabe: sendo honestos. Não tentando levar vantagem em cima das coisas, não sucumbindo à corrupção, não importa se a medida do erro está em se vamos pagar 5 reais ou 10 mil para nos safar. Não é assim que deve ser, mas é assim que vemos acontecer. Os erros têm consequências, foi assim que aprendi. Errou, paga por isso como deve ser, responde à justiça; vai preso; paga multa; perde a carteira de motorista, leva umas “palmadinhas” na bunda (não vejo problema nisso), etc. As pessoas precisam entender que por mais que tenham dinheiro e poder não podem passar por cima das leis, de tudo e todos.

*Tudo isso porque vejo a sequência de erros: a prefeitura que não cuida do túnel da maneira que deveria, por isso ele é fechado (leia-se, limpeza e manutenção); a polícia que não está lá para proibir skatistas de trafegar no túnel; o atropelador que não presta socorro; a polícia que não faz seu trabalho (mais uma vez) e ainda age como bandidos; um pai que livra a cara do filho que agiu errado e que provavelmente não conhece limites, suborna a polícia, corre para consertar o carro para sumir com as evidências, etc.

quinta-feira, 22 de julho de 2010



Com o tempo eu aprendi a ser mais tolerante. Aprendi a dizer adeus a amigos e pessoas queridas porque a partir daquele momento eu (ou eles) seguiria em frente para o lado oposto. Com o tempo eu aprendi a dedicar algumas horas à simples tarefa da respiração: inspira, respira. Com o tempo eu aprendi a contar até três antes de explodir com alguém. E aprendi também que isso pode falhar. Portanto, aprendi a dar o “braço a torcer” e pedir desculpas.


Com o tempo eu aprendi que aquela preguiça que bate às 6h da manhã pode ser vencida, e que o alívio de ter levantado da cama e feito um exercício é muito gratificante! Com o tempo eu entendi que se alguém gosta de você, ela faz por onde. Entendi que não são os caras que te magoam que gostam de você. Quem gosta não faz isso. Com o tempo estou aprendendo a ser menos ansiosa, a simplesmente “relaxar e gozar” quando o relógio parece acelerar o “tic tac” e não dar a mínima para o meu stress.

Com o tempo estou entendendo como a vida tem sempre uma maneira engraçadinha de mostrar o óbvio, mas que por ser óbvio a gente quase nunca percebe. Com o tempo aprendi a ir atrás dos meus desejos, a brigar pelo meu espaço, a falar mais alto quando o mundo parece usar um megafone. Com o tempo entendi que se não for você a dar o primeiro passo, ninguém vai te carregar no colo. E entendi que se você não arrisca aquela viagem para o outro lado do mundo, o tempo vai passar, as obrigações e as responsabilidades vão aumentar, e você vai ficar se perguntando “e se eu tivesse ido?...”.

Com o tempo aprendi que se todos os meus planos forem por água abaixo, eu sairei dessa com mais bagagem, seja cultural, sexual, amorosa ou financeira. E aprendi que por mais que você mude para outro país, estado ou cidade, você sempre poderá voltar pra casa e matar as saudades. Com o tempo eu entendi que não podemos iludir ninguém dizendo que vamos ligar, vamos aparecer, vamos fazer isso ou aquilo se na verdade não temos vontade. Ninguém é obrigado a gostar de ninguém, então aprendi que devemos tratar as pessoas como passarinhos, deixando-as sempre livres para ir e vir quando quiserem.

Com o tempo eu aprendi que devemos tratar todas as pessoas sempre bem. Não importando se é o faxineiro da faculdade, o porteiro, a vendedora da loja ou o presidente. Todos merecem ouvir coisas educadas e receber atenção, por que não?

Com o tempo aprendi a observar a vida das pessoas na janela, e entendi que por mais que sejamos diferentes nos dados que constam na identidade, somos todos parecidos. É que no fim das contas não importa quanto é o limite do seu cartão de crédito, quantas roupas bacanas preenchem seu armário ou para quantos lugares bacanas já viajou. No final das contas, quando bate três da tarde de um domingo, o que importa mesmo é quem você se tornou com tudo que viveu até hoje. E mais, o que pretende fazer com isso daqui pra frente.

segunda-feira, 5 de julho de 2010

Coração educado



Meu coração é educado. Não é daqueles que faz alguém acreditar em mais do que ele pode doar, mas é tão garoto ainda esse pedaço de mim...

Por mais que tenha tombado, levantado e se curado, ainda não se tocou que não pode sair voando assim.

Meu coração educado tem vontade de se dar, mas não é sempre que abre a guarda, isso ele aprendeu. O problema é quando abre... Eu fico na porta dizendo, “volta aqui, malcriado!” Ele olha pra traz e diz, "deixe-me ir. Preciso ver qual é. Acho que é dessa vez!”. Eu olho desconfiada, já prevendo o fim... Mais tarde ele volta triste e reconhece que não foi daquela vez.

Mas não posso me queixar. Diante de tantos corações malcriados, corações que não têm vergonha do pecado que é prometer o que não vão dar, o meu coração está na frente. Ele sabe das suas capacidades, ele sabe o que quer.

É bem verdade que as vezes ele se embriaga, volta pra casa alegrinho, acreditando em tudo que lhe disseram, mas fazer o que? É tão sonhador meu coração. E de tanto sonho que lhe cabe, ele é feliz. É vermelho, é grande na medida certa e o melhor, sabe ser louco quando lhe convém. Sabe o momento exato de colocar o pé na porta e apontar aquele coração desvairado que lhe tirou a cor de tão malvado.

Meu coração educado não tem papas na língua, se deixa enganar, mas não é bobo. Só não gosta que lhe façam mal. Ele é do bem, e ele chora. Ele sangra e se demora para esquecer o último que o deixou, mas ele é tão animadinho que sabe como ninguém a hora de dizer, ok, deixa de sofrer! Vamos lá. Próxima parada!

sexta-feira, 25 de junho de 2010

Uma homenagem aos meus amigos

Loucos e Santos - Oscar Wilde
Escolho meus amigos não pela pele ou outro arquétipo qualquer, mas pela pupila. 
Tem que ter brilho questionador e tonalidade inquietante. 
A mim não interessam os bons de espírito nem os maus de hábitos. 
Fico com aqueles que fazem de mim louco e santo. 
Deles não quero resposta, quero meu avesso. 
Que me tragam dúvidas e angústias e agüentem o que há de pior em mim. 
Para isso, só sendo louco. 
Quero os santos, para que não duvidem das diferenças e peçam perdão pelas injustiças. 
Escolho meus amigos pela alma lavada e pela cara exposta. 
Não quero só o ombro e o colo, quero também sua maior alegria. 
Amigo que não ri junto, não sabe sofrer junto. 
Meus amigos são todos assim: metade bobeira, metade seriedade. 
Não quero risos previsíveis, nem choros piedosos. 
Quero amigos sérios, daqueles que fazem da realidade sua fonte de aprendizagem, mas lutam para que a fantasia não desapareça. 
Não quero amigos adultos nem chatos. 
Quero-os metade infância e outra metade velhice! 
Crianças, para que não esqueçam o valor do vento no rosto; e velhos, para que nunca tenham pressa. 
Tenho amigos para saber quem eu sou. 
Pois os vendo loucos e santos, bobos e sérios, crianças e velhos, nunca me esquecerei de que "normalidade" é uma ilusão imbecil e estéril.









sexta-feira, 18 de junho de 2010


Tem dias que acordo ansiosa, fumo 300 cigarros, tomo 200 litros de café e nada resolve. Nada tampa o buraco que parece querer engolir o mundo de uma só vez, claro que não cabe. E por isso eu sofro!


Na noite anterior esse buraco era tão grande que engoliu meu sono, deitei às 23h e às 3h ainda tentava pregar os olhos. Tentei de tudo: televisão com filme maleta, MSN, papo furado no telefone... Aliás, essa foi a parte boa! Um papo inteligente, engraçado e que valeu por algumas sessões de terapia. Acho até que meu interlocutor merece uma fatia do que gasto com a Dra. toda terça-feira...

Com o papo refleti que por mais que a gente pense que sabe de tudo, que entende tudo, que viveu quase tudo, não sabemos, não vimos, não vivemos, não temos razão nenhuma. Com vinte e poucos ou vinte e muitos é impossível saber por a+b como se relacionar. Por mais que você more sozinha há bastante tempo, por mais que tenha tido 300 namorados, por mais que tenha viajado o mundo. Com o número 2 à frente da sua idade, é simplesmente impossível. Por esse motivo, se hoje me perguntarem “o que você sabe sobre isso?” minha resposta vai ser “socratiana”: “só sei que nada sei”, ou seja, estou aprendendo.

Depois do papo resolvi desligar a TV, deitar a cabecinha no travesseiro, fechar os olhos e imaginar tudo o que eu gostaria de saber. Como me comportar com certas pessoas, como falar com segurança aquilo que me aperta o peito, como agir enfim. Fiz esse ritual e acabei tendo um belo dum pesadelo confuso. Resultado, não é sonhando que se aprende! É vivendo. Óóóó até parece que eu já não sabia...

terça-feira, 15 de junho de 2010

“Quer conversar?”




Sempre gostei de conhecer gente, e acho que faço disso um hobby. Não faço academia, não jogo poker, não faço natação, não sou viciada em TV, não sou adepta a maratona, nada toma mais o meu tempo do que conhecer gente.

Adoro sentar no banco do táxi e saber da vida e das histórias do taxista. Gosto de perguntar à faxineira como é sua vida, de saber da secretária como ela faz para chegar todos os dias no trabalho, se tem filhos, marido, primos. Sei tudo da vida da minha manicure e depiladora. E adoro conversar, não é à toa que comecei a falar antes de completar 1 ano de idade, e minha mãe conta que eu falava o dia inteiro com todo mundo. Vinte e poucos anos depois e nada mudou.

Viajando sozinha (Ah! Esse é meu hobby, colocar a mochila e ir – sozinha- ver o que é que a baiana, o uruguaio, o francês, o israelense e, em breve, o mundo tem). Exercito bastante esse lado “desbravador de gente”. Um dia, na praia de Tel Aviv, olhei pro lado e vi um cara também sozinho. Tinha certeza de que ele era francês e ele tinha uma carinha de gente boa. Não pensei duas vezes: “Do you wanna talk?”. Minutos depois eu e Enguerron estávamos melhores amigos. Almoçamos juntos, fumamos narguila no park, saímos pra night, nadamos de madrugada e foi uma das melhores companhias da minha viagem. Ontem ele me escreveu contando como foi a volta para Paris, disse que adorou me conhecer e que nunca vai esquecer da primeira coisa que eu disse pra ele, “quer conversar”?



E isso aconteceu durante toda a viagem de férias desse ano. Acabei fazendo amizade também com uma koreana, a Shorty, viajamos juntas para a Galileia, tivemos uma ótima troca de informações sobre a cultura de cada, sobre a vida, sobre os homens, sobre tudo! Ela voltou para a Korea, eu para o Brasil, mas a promessa de “nos vemos de novo” é reafirmada sempre através da internet.



E assim foi com outros vários amigos que fiz por lá. Um querido, o Junior, brasileiro que mora em Israel, e que conheci através de um outro querido, o Cláudio, barman de um bar/restaurante em Tel Aviv, me escreveu dizendo: “só faltou você na Parada Gay de Tel Aviv”. Outras duas amizades legais, o Moshe, australiano, na espera pelo voo Israel/Paris, e o Ricardo no voo Paris/Brasil. A conexão foi tanta que mudamos nossos assentos para vir juntos conversando, falamos quase 10h direto e ainda descolamos uma garrafa de champagne para comemorar o final das férias de cada um. Ele em Paris e Itália, eu em Paris e Israel. Tem coisa melhor do que esse intercâmbio?



Hoje estava saindo do consultório da minha terapeuta quando um cara puxou papo comigo no elevador. Eu tinha duas opções, ou ignorava ou sorria e conversava. Obvio, optei pela segunda. Nelson, ortodentista, casado, gente fina, apaixonado por Einstein.


Conhecer, no dicionário:
conhecer (ê) -  (latim cognosco, -ere)
1. Ter conhecimento de.
2. Ter noção de, saber.
3. Ter relações com.
4. Saber quem (alguém) é.
5. Estar convencido de.
6. Distinguir.
7. Ver.
8. Ter indícios certos.
9. Ter relações sexuais.
10. Tomar conhecimento.
11. Averiguar.
12. Ter perfeito conhecimento de si próprio, dos próprios méritos, do carácter! próprio.

Ok! Com isso chego a conclusão de que, antes de uma religião, de uma nacionalidade, existe um ser-humano, portanto, não importa se é palestino, judeu, preto, branco, prostituta, argentino, brasileiro, chinês. Antes disso tudo tem alguém, e esse alguém não deve (não pode!) ser classificado, odiado, xingado, nada disso, por ser parte do lugar onde nasceu ou das escolhas religiosas que fez. Antes disso tudo, e sou totalmente avessa ao ódio e à guerra, devemos questionar o outro, conhecer seus princípios, sua cultura e olhar isso tudo de fora, esquecendo também de onde viemos e nos tornarmos híbridos por um instante, só pelo prazer de desvendar alguém tão diferente de nós mesmos. Sem julgar, sem pré-conceitos.