sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

Fui convidada para uma festa na quinta-feira à noite na casa de uma amiga. O motivo da comemoração não era aparente, mas ela pediu pra gente ir vestido bem colorido. “Vamos bailar”, ela disse. Ok! Coloquei um vestidão coloridão, flor na cabeça, muitas pulseiras e fui. Dançamos ritmos latinos, nos divertimos, rimos, nem parecia que no dia seguinte alguém ia trabalhar – mas ia, eu pelo menos. Em determinado momento, ela baixa a música, reúne todos no meio da sala e diz: “pessoal, reuni vocês aqui hoje, amigos queridos, para compartilhar uma coisa importante: a celebração da vida!“



Você aí que está lendo, tem noção do quanto isso é bacana? Fiquei arrepiada, sabe por quê? Estamos vivendo um período tenso, aqui no Rio de Janeiro aconteceu aquela tragédia em Ilha Grande; no Haiti, que não é aqui, outra tragédia. E os jornais não se cansam de mostrar novos horrores todos os dias. Ou melhor, novas coisas horríveis não cansam de acontecer. Casos isolados, casos que envolvem muita gente... Um atrás do outro. Enquanto isso, o mundo derrete, pega fogo, transborda. É o caos!

E onde você está agora? Onde estão as pessoas que você ama? Seu trabalho, seus amigos, sua casa está de pé? Sua cidade e seu país estão inteiros? Percebe como somos sortudos? Não pense que é um ato egoísta. Não é. É apenas saber agradecer pela sorte que se tem. Mais que isso, dar valor a quem se ama. Valor também por tudo, por termos comida, agasalho, casa, roupas, festas para ir, amigos para encontrar, viagens para fazer e o mais importante, sonhos. É que não imagino o que um haitiano esteja sentindo nesse instante. Não imagino o que é perder a referência de uma vida inteira. Você que ta lendo, imagina? Mas não vá esmorecer, hoje é sexta-feira, não é dia de ficar triste. A minha sugestão é que a gente faça algo pelo próximo, qualquer coisa para qualquer um.

Bom fim de semana pra todo mundo! (se é que alguém lê o que escrevo aqui...risos)*

*a autora, obviamente, está meio carente. É por isso que está fazendo charme. risos 
*crédito da imagem: blog Luiz Lobo Henriques

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010



Se eu pudesse ficaria deitada na minha cama
Ou na praia
Por mais de uma semana.
Escovaria os dentes na janela
Olhando por ela
E querendo estar lá embaixo
Ou aqui em cima.
Depende do que estaria comigo,
Ou quem.
Se eu pudesse não faria nada, dormiria
Que é pra nem ter que piscar.

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

A segunda semana do ano está só começando e eu estou nas últimas páginas de “Leite Derramado”, do Chico Buarque. Como não é lançamento e é Chico, muito já se falou por aí sobre o livro. É uma leitura simples, dinâmica e rica sobre as memórias de quem veio, viveu, mas não venceu. A trajetória de um homem que participou de uma classe dominante e se vê ao fim da vida sem nada, a não ser suas memórias. Histórias que ele conta e inventa e se esquece e lembra.



Certa vez eu conheci um homem mais velho, com idade para ser meu avô, numa ocasião de trabalho. Conversei com ele horas a fio na hora do almoço numa pousadinha lá em Iguaba, na época em que eu fazia produção de uma rádio da Região dos Lagos. Na volta para o RJ ganhei uma carona, e a viagem curta me levou para lugares “nunca dantes navegados”. Ouvi sobre o passado daquele cara meio solitário. No final do nosso destino, antes de descer do carro, fui surpreendida com um agradecimento por ter ouvido suas histórias.

Ora pois, não seria eu que deveria agradecer pelo que acabava de ser compartilhado comigo? Quantas vezes na vida temos chances de ouvir o outro, de saber do seu passado, ver suas fotos de criança? Se a gente para pra ouvir mais e falar menos – sei o quanto é difícil!, a gente aprende mais e gasta menos tempo com bobagens.


Um brinde ao Chico Buarque, que sabe contar histórias como poucos! Outro brinde ao Edu, esse meu confidente instantâneo, que só queria alguém para conversar um pouco.

terça-feira, 5 de janeiro de 2010


Têm uns momentos na vida que a gente deseja voltar para o passado. Exatamente para aquela época na qual éramos pequenos, indefesos e crentes em quase tudo que nos contavam. O melhor é que à vista de qualquer problema, era fácil resolver com apenas um grito: “manhêeeeeee” ou “paiêeeeeee”.

Quando crescemos as coisas ficam mais difíceis para o nosso lado, mas é claro que pai que é pai e mãe que é mãe nunca abandona o barco, continua a dizer “já vou”. Só que esse pessoal sabe tirar o corpo fora de vez em quando; afinal, o filho precisa crescer, ficar independente e aprender a se virar.

E nós aprendemos, não? Eu aprendi. Só que em momentos como o de hoje, no qual quase fiz xixi nas calças (devia sentir vergonha em admitir isso?) de tanto nervoso durante a prova do Detran, eu tenho vontade de gritar por help e esperar que meu pai ou minha mãe venha aliviar a minha barra. Seria ótimo. Meu pai daria um grito no fiscal que estava me aterrorizando psicologicamente, minha mãe me tiraria do carro, faria bolinhos de chuva, me colocaria no colo e diria que bicho papão, ou melhor, fiscal de prova de direção do Detran não existe. Seria ótimo, perfeito, um sonho.

Infelizmente, depois que a gente faz vinte e poucos anos não funciona mais assim. De qualquer forma, é bom ouvir meu pai do outro lado da linha dizendo “quando eu chegar a gente dá um jeito”, ainda que esse “jeito” seja me levar para tomar um chope e comer peixinho frito para botar a raiva pra fora.

Ah, mas como eu queria poder fugir pra barra da saia da minha mãe de vez em quando. Quem me dera alguém assumisse meus problemas e dúvidas e depois só me chamasse para curtir o que foi resolvido. Quem me dera não precisar tomar decisões, enfrentar testes e desaprovações. Quem me dera minhas contas fossem pagas magicamente e os problemas solucionados lá em cima, sem meu conhecimento. E a comida aparecesse no meu prato, e a roupa limpa na gaveta, e a louça brilhando no armário. Quem dera a comida estragada fosse sozinha para o lixo e a vida fosse só diversão. É aquele velho papo de crescer, mas, às vezes, eu tenho mesmo é muita vontade de fugir para a Terra do Nunca*.

*alusão à história do Peter Pan e a Terra do Nunca

domingo, 3 de janeiro de 2010

Hoje fui assistir “Avatar”, uma revolução do cinema feita por James Cameron. E é inevitável pensar como seria ter um avatar. Já imaginou? Eu sim. Imaginei ter uma pessoa que poderia ser do jeito que eu quisesse e fazer tudo que eu não pudesse...

Tem gente que já pode e faz isso através do Second Life, mas no Avatar existe mesmo “em carne e osso” o seu outro eu. Alguém para quem você poderia acordar num dia de desânimo e dizer: “Vai lá, hoje é a sua vez”.

terça-feira, 29 de dezembro de 2009




O tempo passa.
A idade chega, a responsabilidade também, os compromissos aumentam, as escolhas se multiplicam e as dúvidas crescem à medida que a vida exige mais e mais da gente.

Meu siso resolveu “brotar”, aliás, parte dele. O restante está preso no osso tentando sair e me dando uma bela dor de cabeça (li isso no Google e fez o maior sentido)! Dizem que siso = responsabilidade. Deve ser por isso que ele dói, para mostrar que cada atitude nossa resulta em alguma coisa e que esse resultado pode ser doloroso. Minha mãe diz: “Crescer dói. Mudar dói. Amadurecer dói”. Shopenhauer também dizia isso, mas era mais profundo, segundo ele a vida é um eterno sofrimento e só a morte resolve essa dor. Só que eu não tenho pretensão nenhuma em encerrar meus (se é que posso me atrever a chamar assim) sofrimentos à la Shopenhauer.

Esse papo todo parece meio brabo para um fim de ano, é época de acreditar que tudo vai dar certo, e eu realmente acredito que vai e que o que já está certo vai ficar melhor. É que andei pensando muito sobre as dúvidas e as incertezas que a vida nos traz. No livro autobiográfico “Feliz Ano Velho” uma ideia mal pensada fez o cara passar a vida inteira numa cadeira de rodas...Quando é que uma ideia tende a ser uma dessas mal pensadas e vai nos fazer mal? Arriscar é seguir tudo que vem à cabeça, não? Então viver é um eterno jogo de sorte (ou de azar?). Nós passamos a vida inteira jogando os dados e quando eles param é sinal de que nós vamos nos dar muito bem ou muito mal, não tem meio termo.

Então a lição da vida é: Nem acelerar, nem freiar. É seguir em frente. Tem um amigo que diz: “ Eu não corro atrás de nada, eu corro na frente”. É por aí. Mas a verdade é que cada um tem seu tempo e cada época nos faz uma pessoa diferente, isso é muito interessante. Meu irmão caçula me perguntou porque uma certa pessoa é do jeito que é e porque isso é tão ruim. A minha resposta foi meio cafona, mas tem muito sentido também: “Cada um sabe a dor e a delícia de ser o que é” (Caetano Veloso). Esse cara o qual meu irmão se referia tem os motivos dele, a vida que teve trouxe também cicatrizes, é claro, ninguém está imune a elas. E essas marcas fazem cada um de nós acreditar nas suas verdades e nas suas maneiras de agir, pensar, ser, viver, comer, andar, falar, independente dos outros seres.

É por esse motivo que temos que respeitar todas as pessoas e suas culturas e religiões. Cada homem sabe ao que se agarrar para aliviar a barra do dia a dia e não tem problema nenhum que esse ideal não seja igual ao meu, ao seu ou ao do vizinho.

O tempo continua passando, vamos para mais um ano de aprendizados e tenho certeza de que chegaremos ao final dele 100% diferente de hoje.

E que venha 2010 e todas as surpresas que nos aguardam!
Tin tin

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

Adoro essa época de final de ano: 13°, recesso, amigos-ocultos, cidade iluminada, família reunida, amigos, abraços, mensagens de feliz Natal e feliz Ano Novo, árvore de Natal, presentes, comemorações, rabanada, champagne, e aquela sensação de que no ano que vem tudo vai dar certo.

É tão gostoso sentir que tenho outra chance de fazer tudo acontecer de novo e melhor. E pensar que vem o aniversário de novo, férias de novo, novos amigos, sensações, viagens, feriados e trabalhos, é claro! Porque nada do que falei é possível sem o “lerê lerê” diário.

Mudando de assunto, acabei de ler o livro “Sushi” – Marian Keyes. É tão divertido que estou com vontade de comprar o box com os outros livros da autora. Se o Papai Noel tiver dúvidas do que me dar de presentes fica aí a dica.

E terminar um livro bom é para mim a mesma sensação de me despedir de um bom amigo. Fico triste até começar a ler um outro e ser apresentada aos novos personagens. 

*Acho que vou retomar a leitura do “A Colheita”, da Galina Nikolaieva, um clássico!