sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

A gente, e quando digo isso me refiro a homens e mulheres, passa a vida buscando um amor. Até quem "tá por aí" fica à espreita de alguém que vai chegar na hora em que menos se está esperando, encostar as mãos em você e fazer "clic". Então a gente vira um termômetro ambulante, medindo a temperatura dos corpos que ocasionalmente se chocam ao nosso, dia a dia, num simples aperto de mão. E, se a temperatura do outro é um pouco mais quente, a gente para e considera. A maioria escosta e nada rola. Outros causam a maior confusão,e em alguns casos, embolam o corpo no nosso em minutos. Aí a gente gruda, transa, se apaixona por uma noite. Depois esfria. Ou engata.

Quando a placa "estou solteiro e vivo bem assim, obrigada" está pendurada no pescoço, tal e qual melancia, que é pra afastar possíveis relacionamentos, até então, nesse momento da vida, complicadores e dificultadores da vida leve, livre e solta que o solteiro vive. Calma aí, cade o ponto dessa frase? Não disse que tem corpo que embola no outro?

Bom mesmo é viver o momento. Sem muitas teorias, aliás, sem nenhuma teoria. Conceitos só atrapalham, dificultam o raciocínio e tem hora que o bom mesmo é não pensar em nada. Parafraseando Manuel Bandeira, "Os corpos se entendem, mas as almas não", então porque é que colocamos a alma em tudo?

Voltando, todo mundo está em busca de alguma coisa, e até que se prove o contrário, o menos complicado, e mais divertido, é ir levando com o que há de mais leve: a solteirice. Parece feio, parece leviano, talvez seja. Mas quem é que quer virar uma Maria Madalena arrependida atrás de alguém? Eu não, obrigada. Passe bem.

Volver: todo mundo está em busca de algo. Mas o melhor mesmo é não procurar nada. E viver, assim assado, feliz, por aí, sem stress. Mas não, a gente viaja, cria fantasias, personagens irreais, e vivemos muitos personagens também. For what?

E quantas pessoas passam pela nossa vida em questão de...sei lá, 1 ano? Três semanas, que seja? Vivemos um cooper emocional, e se a gente cisma com alguém e apaixona por três ou quatro dias, desencana em seguida e.... Próximo! Aí vem o tal do corpo com a temperatura, que a essa altura nao sei se é a energia ou o calor, e lá vamos nós de novo.

Quando se tem vinte e poucos ou vinte muitos a gente não sabe de nada. E aí, em se tratando de saber ou não saber, é melhor não arriscar em nada que seja muito sério. Pra que? Mais cedo ou mais tarde você vai olhar ao redor e dizer com o pulmão inflado: uatarréu?

Sei lá, sei lá. Muitas emoções em 2010, e o ano já está na portinha, com malinha debaixo do braço pronto para dizer adeus. Mas, pera lá, quem disse que já quero me despedir? Mais uma vez, muitas emoções para organizar de uma só vez.

Então, os corpos se encontraram, acharam graça um no outro, finalidade igual: se divertir. Daí não há  blablabla, nada que impeça de rolar. E se parece bom, por que não?

Depois, pendura a plaquinha no pescoço de novo, desencana e o que vier é lucro. Melhor que ser encanada, é ter um blog para dizer essas besteiras que só os solteiros têm tempo de pensar. Melhor ainda, ser solteiro,e bem resolvido, é não precisar viver encanado.

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010


Hoje acordei querendo tudo diferente. Enquanto me arrumava com um pé na porta e a cara no espelho, maquiagem em punho e cappuccino na outra mão, me vi desejando ser outro alguém. Uma simples moradora de uma vila calma, com tempo para passar as tarde na rede, dona de um belo jardim para gastar as minhas tardes pintando. 

Imaginei uma varandinha aconchegante com cachorrinhos, passarinhos, cheiro de comida no fogão à lenha, barulho de bicho na mata e o padeiro passando de bicicleta na porta com a cesta cheia de delícias.
Pensei como seria ter a tranquilidade de não precisar viver às voltas da balança para emagrecer o meio quilo ganho na semana passada, e a correria para conseguir cumprir as missões diárias: levantar, correr para o banho, escolher roupa, maquiar, correr para o trabalho, atender ligações, mandar emails, telefonar, falar, escrever, bla, bla, bla. 

Na minha vidinha caseira perfeita, eu era alguém que não sentia falta de ar e o coração não ameaçava parar se eu não desacelerasse um “tiquim” que fosse.  O meu “eu” perfeito não tem tendinite de tanto usar o computador, no máximo fica cansado por passar horas e horas em pé pintando quadros.

Acordei com o telefone tocando, a maquiagem borrada, o café esfriando e minha amiga querendo usar o espelho.  Back to real life!

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

"Calma...
Dê o tempo ao tempo, calma alma
Põe cada coisa em seu lugar
E o dia virá, algum dia virá
Sem aviso."
Francisco Bosco
 


(*peguei a frase no blog da amiga e jornalista Fabiane Pereira, mas o Chico Bosco eu já conheço de outros carnavais. É um dos destaques da literatura brasileira, colunista do jornal O Globo e também letrista brilhante)

domingo, 14 de novembro de 2010

Entre borboletas e bailarinas




As relaçoes amorosas, mais uma vez, tema do meu post.

Há um tempo eu escrevi que a janela estava aberta para as borboletas novamente, pena que não basta querer para que elas entrem goela abaixo e fiquem zanzando no nosso estômago. Porém, eis que num dia, distraída, cantando com o coração escancarado na varanda do meu quarto, abri tanto a boca que nem percebi uma borboletinha sobrevoando e, num vacilo, nhack! Engoli a dita cuja.

Agora fico aqui olhando à espreita da porta o meu coraçao ir embora de novo, faz alguns dias que ele saiu com uma maletinha debaixo do braço para fazer sabe-se lá o que. Fiquei olhando meio perdida sem saber se isso era bom ou ruim. Ainda não sei. Ficamos eu e a borboleta, que a essa altura se multiplicou, e creio que surgiram bailarinas também, tamanho é o alvoroço dentro de mim.

Sinto-me prestes a pular do avião em movimento com o paraquedas e sem instrutor, c`est la vie... Nem sempre tem um guia ou manual que nos diga o que fazer. Essas coisas não funcionam assim. Por mais que tenhamos horas de crédito gastas na terapia, relacionamentos os quais serviram de base para uma vida amorosa madura, cada caso é um caso. E aí, somos todos crianças de novo aprendendo a andar.

Meu coraçao disse que levava na bagagem tudo de que precisava, não tenho certeza se ele tem tudo, pode ser que sim, pode ser que não, mas quem vai apitar o rumo da história? Pode ser que corra tudo bem ou não... mas não quero sair correndo antes de ver no que vai dar.

As borboletas ligaram o som e sobrevoam as bailarinas que dançam ao som de músicas que voltaram a fazer sentido pra mim.

O coraçaozinho malcriado virou a esquina, olhou pra trás e deu uma piscadinha sacana, coisas de quem sabe o que está fazendo. Vale confiar. Já disse que meu coração sabe o que faz, mesmo nesses rompantes, ele age por impulso, mas não confia em qualquer um. Aliás, é bem desconfiadinho.

E tem coisa melhor: se jogar, e se cair levantar. Pode ser que ele volte pra casa todo ferradinho, e aí as borboletas terão dado lugar a um grande vazio, mas não é nisso que vou pensar agora. Tudo pode dar certo, e nem sempre isso significa terminar com um "felizes para sempre".

De uma coisa eu sei, tinha tempo que meus lábios não combinavam de ir cada canto para um extremo da boca, deixando os dentes à mostra e o rosto todo em harmonia. Não uma risada qualquer, mas daquelas que congelam a face e deixam a gente com cara de bobo na rua, creio que até dormindo os lábios não cessam. Delícia de sensação.

domingo, 10 de outubro de 2010

Perceber a fragilidade de pessoas tão próximas, ex-gigantes que já foram donos de reinos detentores de poderes especiais, é o mesmo que acenar a bandeira confirmando que você pode assumir outro posto mais importante, o de porta-voz do reino, e com isso toda a responsabilidade e peso que vêm junto.

Não é pra qualquer um conseguir mediar guerras, colocar pesadelos pra correr e desarmar bombas. Tem que ter nervos de aço e saber o que fazer com a chave do armário que guarda a armadura. Tem que ficar ali, jogar no meio campo, equilibrar copos, engolir o choro, segurar a onda, mostrar que é forte e sê-lo de fato.

Quando existe gente que depende de você, da sua segurança, não dá pra bobear, não pode deixar a peteca cair. É como quando você é criancinha e adoece ou se machuca. Daí vem a mamãe, por mais nervosa que esteja, olha pra você e diz que vai sarar. Pronto! Você acredita, ela é autoridade perito no assunto dodoi.

Uma hora o jogo vira, e aí quem tem que dizer que vai sarar é você. E doi porque não parece fazer sentido, ainda que faça. Herois não devem adoecer, nem se machucar, mas não é bem assim. Meu pai sofreu um acidente de moto nesta semana. Corri pra casa e ao vê-lo, aquele cara que sempre foi o mais forte entre os mais fortes, seguro, agitado, robusto,e agora debilitado, com o pé ferrado e ralados pelo corpo, tive que me conter para poder confortar ao invés de pedir colo.

Naquele instante fui a pessoa mais adulta do grupo. Cuidei dele no médico, fiz comida,sobremesa, comprei remédios, dei dose extra de amor, carinho e atenção. Tudo aquilo de que precisamos quando adoecemos e que só alguém maior pode dar. Foi engraçado e estranho ao mesmo tempo ser a “dona da situação” e saber exatamente do que ele, meu pai, precisava. Voltei pra casa com a sensação boa de quem faz bem o que deve ser feito, e quando isso envolve fazer bem ao outro, não tem preço!

O bom é saber que na hora certa, os filhos pegam o bastão e sabem ser a cola que falta, o braço para dar apoio, a voz que dita o comando e o abraço que conforta.