Peguei um vaso com uma planta no lixo. Na verdade um galho seco.
Não sei por que, mas o achei tão bonito. Confesso que, em momento algum, tive a pretensão de fazer florir qualquer coisa viva que ainda estivesse ali. Não fosse a diarista, o galho nunca teria conhecido o sabor da água.
E eu continuava a olhar e a esperar sabe-se lá o que, contrariando todas as pessoas que diziam para eu me desfazer “daquilo”. "É uma planta morta", eles diziam, mas eu via um galho bonito. Pensei em comprar borboletas e fazê-las ficarem dependuras em cada ramo.
Dizem que se compram sonhos, mas näo encontrei quem vendesse borboletas!
Chegou o Natal e pensei em fazer uma árvore bacana com bolas coloridas, algodão e anjinhos. Não o fiz. Passaram as festas e o galho jazia na sala com as raízes cada vez mais cinzas e sem forças.
Chegou o verão, e como as estaçoes passam depressa, segui acreditando que talvez na primavera... mas como é demais esperar as coisas de alguém, amanhã vou levar o vaso e seu galho bonito lá pra baixo e, agora sim, esperar que alguém o pegue. Afinal, eu não achei onde comprar as borboletas e nem elas se atreveram a pousar aqui.
Então, quem passar pela minha calçada amanhã verá só uma planta que já morreu e esqueceram de enterrar. Ou, quem sabe, pense diferente.
Descobri seu blog ano passado e não consegui mais parar de lê-lo. Sou apaixonada por essa sua forma de escrever e se expressar, seu espírito aventureiro e inovador. Confesso que vejo muito de mim em você ou de você em mim. haha
ResponderExcluirParabéns pelo blog, e obrigada por me trazer tanta poesia. =)
Puxa, obrigada pelo elogio! Se quiser, me adiciona lá no Facebook.
ResponderExcluirBeijos, Raïssa